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14.09.07

Sair de casa é se aventurar!

Ônibus lotado, e eu a observar, de repente uma freada brusca!
– Opa! – fala um senhor que estava em pé à frente da segunda fila de cadeiras do ônibus, bem ao meu lado.
Logo em seguida, retruca a senhora que estava sentada na cadeira.
– Mil desculpas! Por culpa do solavanco acabei me apoiando no senhor! – ela parecia está constrangida por apoiar-se com a mão na barriga dele, mas logo em seguida, entrega-lhe um sorriso, e ele o devolve com aquele ar de “desculpas aceitas”.
Continuo a observar. A troca de sorrisos não demora a virar gargalhada, e eu sinto que a algo diferente acontecendo.
– Qual o seu nome? – pergunta ela ao senhor.
– Odair, e a sua graça qual é?
– Maria, mas me chamam de Zefinha. Eu gosto de ser chamada assim... O senhor deve está cansado! Não quer se sentar?
– Não, não. Por favor, não se levante, estou na flor da idade (risos)! E, além disso, sou um cavalheiro, nunca tomaria o lugar de uma dama.
Outra troca de sorrisos, agora mais tímidos, porém, timidez não parece ser um dos adjetivos de dona Zefinha, ela retruca.
– Não quer sentar no meu colo! – e mais gargalhadas, dessa vez, até eu que tentava me manter imparcial e estático em meio ao flerte, não consegui me conter. Então o senhor Odair me dirige a palavra.
– “Tô” com a bola toda heim meu jovem? – respondi de imediato.
– Com todo o respeito dona Zefinha, mas se fosse o senhor não perdia tempo. – Zefinha confirma mais uma vez a sua total falta de timidez.
– A gente tem é que viver mesmo, não é meu jovem?! O mundo esta aí, com tanta coisa ruim acontecendo e a gente se preocupando com o que os outros pensam ou deixam de pensar. Temos que ter um horizonte pra olhar, e seguir em direção a ele levando conosco tudo de bom que encontrarmos no caminho.
Balançando a cabeça em aceitação a tudo que ela dizia, e olhando para seu Odair, percebi que ele não tirava os olhos dela, e como se tentasse adiantar o que provavelmente iria acontecer, me aproximei de Odair e disse-lhe ao ouvido.
– Se você não pedir o número dela, eu vou pedir pra mim viu! – Risos e mais risos! O que deixou dona Zefinha muitíssimo curiosa.
– Do que vocês tanto riem? – indagou Zefinha. Odair não perdeu tempo e retrucou.
– A senhora se importa de me dar seu telefone? Pra podermos conversar mais outro dia, sem esse aperto do ônibus, eu adorei conhecê-la! – dona Zefinha olhou-me, eu estava a sorrir e balançar a cabeça em movimentos positivos, como quem diz “dá logo”. Ela abriu a bolsa, pegou uma caneta e um caderninho, escreveu, destacou e deu ao Odair, que respondeu.
– Vou guardar com carinho. – tinha muita gente ainda no ônibus e existia muita conversa paralela nas outras cadeiras, mas naquele momento, ao menos pra mim, parecia existir silêncio, até que eu mesmo voltei a mim, e antes de sair do ônibus e me despedir do mais velho-novo casal que eu vira se formando, “lancei”!
– “Aê” Odair!

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